Rota dos Pioneiros

A Rota dos Pioneiros é uma trilha aquática de longo curso com quase 400 quilômetros, criada com o objetivo de conectar as unidades de conservação do rio Paraná e de seus afluentes.

É dividida em 3 regiões: rio Paranapanema, conectando o Parque Estadual do Morro do Diabo e a Estação Ecológica do Caiuá, rio Paraná conectando a Estação Ecológica do Caiuá ao Parque Nacional de Ilha Grande, passando pelo Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema – região que está sendo implantada nesta primeira etapa – e, finalmente, o lago de Itaipu, conectando o Parque Nacional de Ilha Grande ao Parque Nacional do Iguaçu.

A trilha aquática está inserida do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná e faz parte da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, associação que reúne e organiza o sistema de trilhas brasileiras, conectando as unidades de conservação do país, a exemplo do que já ocorre pelo restante do mundo. Ao todo são 10500 km planejados e 3500 km de trilhas implantadas pelo território nacional.

A Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso (@redebrasileiradetrilhas) será composta por trilhas que ligam diferentes biomas de Norte a Sul do País, conectando paisagens e ecossistemas brasileiros para promover a organização, estruturação e ampla visibilidade à oferta turística de natureza no Brasil, sendo que cada uma pode ser percorrida em espaços de tempo variados, encaixando-se em diferentes períodos de férias, feriados e finais de semana.

Cada Trilha de Longo Curso utiliza em sua sinalização uma pegada preta e amarela como sua identidade visual, remetendo ao tema de sua região. A Rota dos Pioneiros adotou uma pegada com um bote/caiaque em seu interior atravessado por um remo na transversal. A escolha da marca e do nome remete à região do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná e de seus afluentes (Ivinhema, Piquirí e Paranapanema por exemplo) que foram palco de batalhas, rota de acesso (e de fuga) pelo interior do continente num processo de invasões e ocupação de grande importância, por motivo histórico e cultural que poderá ser revivido pelos visitantes. A escolha se deu também em vista das oportunidades de travessias que as nossas unidades de conservação oferecem, tanto por trilhas terrestres, quanto por trilhas aquáticas.

Na Lagoa Xambrê, a rota de três quilômetros passa por propriedades rurais e pode ser feito a pé ou de bicicleta. Outro ponto de apoio é a Ilha São Francisco, em Guaíra, também chamada de Ilha do Pacífico. O local, que foi todo reflorestada por um ex-frade franciscano, o Frei Pacífico, poderá ser usado como área de camping.

Já a trilha da Ilha Grande, a maior do Parque Nacional, está sendo demarcada e terá 17 quilômetros de extensão. O percurso de um ponto de apoio ao outro leva cerca de um dia de remada. A ideia é que o navegante faça o percurso tranquilamente, parando nas praias, para tomar banho de rio, para comer e conhecer a história do local. O Porto Morumbi é um importante ponto de apoio e na Ilha São Francisco você poderá conhecer o Frei Pacífico que nos conta a história de Guaíra e da região.

A empresa responsável pela comercialização é a Pachamama Expedições – (67) 3461-9946

Fotos: Erick Xavier

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OS PIONEIROS – A Rota dos Pioneiros remete à história do Rio Paraná e da própria ocupação do território paranaense, afirma Erick Xavier. “Por um bom período de tempo, quando ainda não havia estradas, diversos grupos de pessoas chegaram a essa região pelo rio. Toda a história do Rio Paraná é permeada de pioneiros”, diz. “A pessoa que fizer isso aqui de caiaque, a pé ou de bicicleta vai fazer o caminho que muitos povos percorreram”.

Em busca do que chamavam de terra sem males (Yvyv Marã’y, no tupi-guarani), indígenas guaranis já atravessavam o rio de canoa dois milênios atrás, e faziam em suas margens uma cultura de rotação: pescavam, plantavam e caçavam. Depois de um tempo, trocavam de local e, ao retornarem, encontravam novamente a floresta recuperada. “Algo parecido com o manejo florestal que é feito atualmente”, explica o biólogo.

Com a ocupação do Brasil pelos colonizadores europeus no início do século 16, a região acabou entrando na rota dos conquistadores espanhóis. Na confluência entre os rios Paraná e Piquiri, próximo de onde são hoje os municípios de Guaíra e Terra Roxa, estava a Ciudad Real del Guahyrá. Pertencente ao Império Espanhol, a fundação da cidade remonta à 1556.

Na esteira da conquista, também vieram as missões jesuíticas, e a localidade abrigou uma redução onde viviam milhares de pessoas. Os jesuítas acabaram expulsos por um novo grupo de pioneiros que chegou à região pelo rio: os bandeirantes paulistas que conquistavam novas terras Brasil a dentro.

Com a saída dos bandeirantes, as margens do Paraná voltaram a ser ocupadas pelos antigos nativos, até novas navegações avançarem pelas águas. Por elas vieram imigrantes italianos, alemães, portugueses e japoneses. Neste trecho, também foram encontradas afundadas embarcações da Revolta Tenentista de 1924, outro importante capítulo da história brasileira.

Os ciclos econômicos do Estado e do País também acompanharam as correntezas do rio, desde a erva-mate, que era escoada de barco até a Argentina, até o aproveitamento hidrelétrico, que faz girar as turbinas de grandes usinas para gerar energia.

É no lago da gigante Itaipu Binacional que termina a Rota dos Pioneiros, e onde pode começar uma nova remada para quem quer explorar a fundo o Rio Paraná.